
As denúncias chegam, em geral, por conhecidos das vítimas, raramente pelas pessoas abusadas. “Por um misto de medo e culpa, muitas delas passam décadas sem compartilhar a dor com ninguém”, explica a psicóloga Elizabeth Vieira Gomes. Xuxa levou mais de 30 anos para assumir publicamente os abusos. O silêncio de Luana durou 12 anos, ela diz: “Eu tinha medo de ninguém acreditar em mim, ele era uma pessoa em quem todos confiavam.” Ela não tinha mais de 4 anos quando o avô lhe disse “olha o que eu tenho aqui, é diferente do que você tem”, e lhe mostrou seu órgão sexual. A carioca de 31 anos não se lembra de detalhes desse dia, mas tem recordações claras das carícias sexuais que ele lhe fez aos dez anos. “Eu sabia que era errado porque ele me pedia que não contasse a ninguém e porque nenhum outro adulto fazia aquilo comigo”, diz. Só aos 16 anos ela confessou o ocorrido à mãe. “Passei esse tempo nutrindo ódio pelo meu avô sem nunca revelar a razão”, diz ela. Natália diz: “Eu tinha 9 anos quando o pai de minha amiga começou a mexer comigo, o que eu sentia é inexplicável era uma mistura de nojo culpa e prazer.”
Se você conhece alguém que sofre ou já sofreu algum tipo de abuso, denuncie! O Disque 100 é um número do telefone que pode livrar uma criança ou adolescente da violência dentro de casa. Por mais que o abuso parta de desconhecido ou pior, de alguém da sua própria casa, é importante denunciar. Vá até uma delegacia próxima ou fale com alguém de confiança sobre o que você vem sofrendo. Pedofilia é crime e precisamos lutar contra isso!
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